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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Faro para desgraça

Faro apurado para desgraça

SUN PAULO, terra do Sol -- Com a falência múltipla dos índices futuros nesta sexta-feira "negra", a dúvida não era se haveria (ou não) circuit breaker, mas a que horas seria. Lá pelas 09h15, recebi uma ligação de um Rei anônimo, apostando na interrupção dos negócios às 10h33. Refleti um pouco e achei exagero: não deveria ser depois das 10h20, mas não considerei um fator de extrema importância: a Ana Maria Braga.

Como é público e notório, as bolsas brasileiras e americanas só abrem depois das piadas do Louro José e da indicação de receitas da Ana Maria. Entretanto, nesta sexta-feira, a programação da rede Redonda acabou ficando atrasada, o que deu um fôlego extra de mais alguns minutos para o mercado.

Sorte para "Meu Rei", que acertou sua previsão com uma margem de erro de UM MINUTO. Mesmo após insistentes pedidos para que o mesmo indicasse seis números, ao acaso, para participarmos do sorteio da Mega-Sena, já que ganhar dinheiro fácil está difícil, não foi possível extrair estas informações do nosso monarca, ficando o prêmio acumulado em cerca de K$ 100.000.000 (CEM MILHÕES DE LOTES DE AÇÕES ORDINÁRIAS DA KEPLER WEBER), pelo valor de fechamento.

Uma vez que não houve after-market hoje, por conta da romaria de investidores indo até Aparecida, de joelhos, pedir uma forcinha para Nsa. Senhora, o sofrimento do final de semana foi abreviado.

O complicado é explicar para os filhos que o presente do dia das Crianças não virá porque multinacionais japonesas instalam empresas em Hong-Kong e produzem com matéria-prima brasileira para competir no mercado americano, enquanto relógios suiços falsificados no Paraguai são vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles. E, ainda, filmes italianos dublados em inglês com legendas em espanhol nos cinemas da Turquia e pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné. Mas pior é o que o consulado americano do Egito fez às crianças iraquianas.

É, filhão, globalização é um troço esquisito.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Centro de Traumatologia Financeira" é inaugurado

Dois circuit breakers em um dia? Conte conosco!
Estou começando a ficar preocupado com o mercado. E isso é sinal de oportunidades.

Estamos inaugurando na data de hoje, o "Centro de Traumatologia Financeira" (CTF), depois do fracasso do "Centro de Recuperação para Traumas Oriundos de Operações Financeiras Mal Sucedidas - CRTOOFMS", que não possuiu nenhuma inscrição pela dificuldade dos clientes em lembrar da sigla da instituição.

Esta nova empresa visa ajudar os investidores, outrora bem-sucedidos no mercado de renda (variável), com palestras, cursos e seminários de apoio, orientação e recomendação de investimentos, neste período onde um dia sem "circuit breaker" é motivo de comemoração.

Oferecemos os serviços de psicologia, pais-de-santo, videntes e outros profissionais de renome e comprovada experiência no mercado de capitais, auxiliando a população a superar os períodos traumáticos que a Bolsa vem passando nos últimos meses.

As matrículas estão abertas e os preços são simbólicos. Aceitamos todos os cartões de crédito e transferência de custódia de ativos financeiros, com ou sem liquidez. Acionistas da Kepler Weber têm desconto. Para realizar sua inscrição, assine o feed ao lado.

Você não precisa sofrer sozinho. Venha sofrer com a gente!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Nancy Pelanca, a deusa do circuit breaker


Washington, depois de Cristo -- A presidente da Câmara, Nancy Pelanca, foi eleita na noite de ontem, em votação unânime por uma comissão de anônimos, a rainha do "circuit breaker".

Como se não bastassem as notícias ruins da economia americana, a quebradeira dos bancos, a chuva que castigou São Paulo, o aumento no preço da torta de limão e a Petrobrás que não sobe, a ilustre senhora lançou outras pérolas ao porcos capitalistas, ou seja, nós.

Tudo começou no final de semana, onde a redação de três páginas mal-feitas do filho do Paul, tirou todos os deputados do seu merecido descanso (lá eles, ao menos, fingem que trabalham), para ser reescrever o garrancho e transformar-se automaticamente no best-seller de títulos podres que o mercado estava precisando. Todo mundo de saco cheio, o mundo inteiro de olho no resultado do trabalho de final de semana, tudo no esquema para ser aprovado com um C+.

Aí aparece essa "demo" de cara azeda ao lado, e solta que a culpa é dos republicanos. Ok, a culpa até é do Bushit mas, catzo, quem quer saber? Tudo mundo quer ver o mercado bombando, a bolsa subindo (ou, pelo menos, saindo da vala) e os bancos sendo salvos, com o dinheiro dos outros.

"Era exatamente o que estávamos esperando", disse Zé Colméia, porta-voz dos ursos. "Mandamos vender até as cuecas, porque o mercado só estava esperando. Só não deu pra vender descoberto, mas espere mais uns dias e vocês vão ver o que é 'bear raid'" completou Catatau, auxiliar para assuntos aleatórios.

Rapidamente (ou melhor, não tão rápido quanto gostaríamos), os senadores bateram no peito e chamaram a responsabilidade. Diferente do presidente Molusco, que acha que o mercado de capitais é um cassino -- na verdade, é uma loteria --, eles entenderam que a economia indo pro brejo, o país segue atrás. Votaram na noite de ontem uma versão "melhorada" do pacote, aprovando com a esmagadora maioria.

Mas notícias ruins vêm em bando. Depois dos mercados americanos e brasileiros abrirem em baixa, ainda catando os caquinhos que sobraram, a dondoca largou mais uma, quando todos pensavam que o pior já tinha passado, que não tem certeza se o plano vai ser aprovado nesta sexta. Caraca, certeza ninguém tem e, se quiser dar sua opinião, dê em casa, escondida embaixo da cama, que ninguém no mercado quer ouvir.

Depois disso tudo, decidi não votar nos democratas. Nem nos republicanos.

"Meu nome é Enéas!"